Economia & Negócios / Economia
Brasil chega a quase 2 milhões de trabalhadores por aplicativos, aponta IBGE
Levantamento mostra jornadas maiores, alta informalidade e rendimento por hora 12% menor que entre trabalhadores que não atuam por plataformas
Luis Gustavo, Da Redação*
O Brasil tinha 1,959 milhão de pessoas trabalhando por meio de aplicativos em 2025, segundo levantamento divulgado nesta sexta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número corresponde a 1,9% de toda a população ocupada do país.
A pesquisa considera pessoas com 14 anos ou mais que utilizam plataformas digitais para atividades como transporte de passageiros, entregas e prestação de serviços. A maior parte atua por conta própria.
Do total, aproximadamente 1,2 milhão trabalhavam com aplicativos de transporte de passageiros, o equivalente a 58,9% dos trabalhadores plataformizados. Cerca de 1,1 milhão utilizavam plataformas como Uber e 99, enquanto 232 mil atuavam exclusivamente com aplicativos de táxi.
Já os entregadores de comida e outros produtos somavam 376 mil pessoas, ou 19,2% do total. Outros 313 mil trabalhadores, correspondentes a 16%, utilizavam aplicativos para prestação de serviços gerais ou profissionais, incluindo atividades como design, tradução e telemedicina.
Trabalhadores ganham praticamente o mesmo, mas trabalham mais
Um dos principais pontos do levantamento é a diferença na jornada de trabalho. Em 2025, os trabalhadores por aplicativos tinham uma jornada média de 44,7 horas semanais, enquanto os demais trabalhadores do setor privado trabalhavam, em média, 39,3 horas.
Apesar da jornada maior, o rendimento mensal médio ficou praticamente igual: R$ 3.147 entre os plataformizados, contra R$ 3.148 entre os demais trabalhadores.
Quando considerado o valor recebido por hora, porém, a diferença aparece: os trabalhadores de aplicativos recebiam, em média, R$ 16,20 por hora, enquanto os não plataformizados recebiam R$ 18,40 — uma diferença de 12%.
Informalidade é maior entre trabalhadores de aplicativos
O levantamento também aponta uma forte presença da informalidade. Entre os trabalhadores por aplicativos, 72,1% estavam na informalidade, contra 42,7% entre os demais trabalhadores.
A cobertura previdenciária também era significativamente menor: apenas 34% dos plataformizados tinham cobertura previdenciária, enquanto o percentual chegava a 63% entre os demais trabalhadores.
A maioria dos trabalhadores de aplicativos, 86,8%, declarou trabalhar por conta própria. Apesar disso, o IBGE identificou sinais de dependência em relação às plataformas. Entre motoristas de aplicativos, por exemplo, 80,2% disseram que o valor recebido por cada tarefa depende totalmente da plataforma. Entre entregadores, o percentual foi de 78,3%.
Número de trabalhadores segue crescendo
Considerando apenas aqueles que tinham os aplicativos como ocupação principal, o número passou de 1,3 milhão em 2022 para 1,7 milhão em 2024 e 1,8 milhão em 2025.
Nesse recorte, houve crescimento de 9,1% em apenas um ano e de 36,8% em três anos. O número de entregadores foi o que mais cresceu entre 2024 e 2025, com alta de 18,6%.
O IBGE ressalta, no entanto, que a pesquisa sobre trabalho por plataformas ainda é experimental e que a metodologia de 2025 passou a incluir também pessoas que utilizam aplicativos como fonte de renda complementar. Por isso, o total de 1,959 milhão não deve ser comparado diretamente com os números de anos anteriores.
“Uberização” entra novamente em debate
A divulgação dos dados ocorre em meio à discussão sobre a chamada “uberização” do trabalho, especialmente diante do debate sobre direitos e eventual reconhecimento de vínculo empregatício entre trabalhadores e plataformas digitais.
O tema também está em análise no Supremo Tribunal Federal (STF), enquanto representantes de categorias como motoristas e entregadores defendem maior proteção trabalhista. *Com informações da Agência Brasil.
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