Dizer “obrigado” demais pode revelar mais do que educação, explica psicóloga

A gratidão genuína é importante para demonstrar reconhecimento e fortalecer vínculos

Luis Gustavo, Da Redação*


Agradecer faz parte da boa convivência e ajuda a fortalecer relações, mas quando o “obrigado” aparece de maneira excessiva e automática, pode estar relacionado a fatores que vão além da simples cordialidade. Segundo a psicóloga clínica Daniela Pereira, o comportamento pode, em determinadas situações, estar ligado à ansiedade, ao medo de desagradar e à dificuldade de estabelecer limites. 

Quando agradecer deixa de ser espontâneo

A especialista destaca que dizer “obrigado” com frequência não significa, por si só, que exista algum problema. A gratidão genuína é importante para demonstrar reconhecimento e fortalecer vínculos.

 

O ponto de atenção está na motivação por trás do comportamento. Quando a pessoa agradece porque realmente reconhece uma gentileza, o gesto é espontâneo. Porém, quando o agradecimento surge do medo de ser julgada, rejeitada ou considerada inconveniente, ele pode funcionar como uma espécie de proteção emocional. 

 

Uma maneira de perceber essa diferença é se perguntar: “O que eu sentiria se não dissesse obrigado agora?” Se a resposta envolver culpa, medo de julgamento ou rejeição, pode haver algo além da gratidão envolvido.

Agradecer até pelo que já é um direito

Outro comportamento citado pela psicóloga é agradecer por situações que não necessariamente representam um favor, como receber uma resposta de trabalho, ter acesso a um atendimento pelo qual o profissional já é remunerado ou simplesmente ter um direito respeitado.

 

Nesses casos, o “obrigado” pode funcionar como uma maneira de tornar a interação mais segura para quem tem dificuldade de ocupar seu espaço ou teme incomodar outras pessoas. 

Relação com ansiedade e autoestima

O excesso de agradecimentos pode, em algumas situações, estar associado à ansiedade ou à autoestima fragilizada. Pessoas que antecipam críticas ou têm receio constante de desagradar podem desenvolver o hábito de tentar demonstrar que são “fáceis de lidar”.

 

A especialista, porém, ressalta que nenhum comportamento isolado permite diagnosticar um problema psicológico. É necessário considerar o contexto, a frequência e o impacto desse padrão na vida da pessoa. 

Até no trabalho o excesso pode transmitir insegurança

No ambiente profissional, agradecer repetidamente por situações rotineiras — como participar de uma reunião ou receber um retorno sobre uma tarefa — pode transmitir uma percepção de insegurança em relação ao próprio espaço.

 

O problema também pode aparecer quando a pessoa tem dificuldade para dizer “não”, expressar insatisfação ou estabelecer limites. Nesse cenário, ser excessivamente agradável pode se tornar uma estratégia para evitar conflitos. 

Ser educado não significa aceitar tudo

A psicóloga reforça que desenvolver uma comunicação mais assertiva não significa abandonar a gentileza. É possível agradecer, ser cordial e, ao mesmo tempo, expressar opiniões, necessidades e limites.

 

Um dos principais sinais de alerta é quando o agradecimento se transforma em uma resposta automática e a pessoa sente culpa ou ansiedade apenas por imaginar que não irá agradecer.

 

A recomendação é observar em quais situações o “obrigado” surge de forma automática e tentar identificar a necessidade por trás dele. Assim, a pessoa pode aprender a fazer perguntas, dar opiniões ou fazer pedidos sem sentir que precisa se desculpar por ocupar aquele espaço. *Com informações da CNN.

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