Clareamento íntimo: entenda as causas e veja os tratamentos que funcionam

O escurecimento não significa necessariamente que exista algum problema na pele, pelo contrário, ele é algo natural e pode variar de acordo com características individuais

CNN


O clareamento íntimo vem ganhando espaço entre os procedimentos procurados por mulheres que desejam uniformizar a tonalidade da pele da vulva e da virilha. A busca está relacionada principalmente a uma questão estética, já que é comum que essas áreas apresentem uma coloração um pouco mais escura do que outras partes do corpo.

O escurecimento, no entanto, não significa necessariamente que exista algum problema na pele; pelo contrário, ele é algo natural e pode variar de acordo com características individuais e também sofrer alterações ao longo da vida.

Por que a região pode ficar mais escura?

A pele da região íntima está sujeita a uma série de fatores que podem estimular a pigmentação.

O atrito provocado pelo contato entre as pernas, por exemplo, pode gerar irritação e inflamação, favorecendo o surgimento de manchas.

“Roupas apertadas, exercícios físicos e o simples contato entre as coxas estimulam os melanócitos a produzir mais melanina como resposta protetora; é o mesmo princípio da hiperpigmentação em axilas e outras dobras”, explica a ginecologista e especialista em cirurgia íntima, Mariana Macedo.

A depilação também pode ter influência na mudança de coloração. Lâminas, cera e outros métodos podem causar pequenas irritações ou inflamações na pele. Quando isso acontece repetidamente, pode ocorrer a chamada hiperpigmentação pós-inflamatória, deixando a região mais escura.

Os hormônios também influenciam. Alterações hormonais ao longo da vida podem modificar a atividade dos melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina. Por isso, mudanças na coloração da pele podem ocorrer em diferentes fases, como durante a gestação ou com o envelhecimento.

“Alterações hormonais, como ocorrem na gravidez, uso de anticoncepcionais e síndrome dos ovários policísticos, podem intensificar a pigmentação, de forma semelhante ao que ocorre no melasma facial. O envelhecimento é outro fator. Com o tempo, há acúmulo de exposição a fatores irritativos e mudanças na regulação da melanogênese local”, acrescenta Macedo.

Clareamento íntimo não é sinônimo de clarear a vulva

Antes de pensar em qualquer procedimento, é importante diferenciar as áreas que podem ser tratadas. A pele da virilha, por exemplo, é diferente da mucosa genital. Produtos e procedimentos indicados para a pele externa não devem ser utilizados indiscriminadamente em regiões internas ou em áreas mais sensíveis.

Além disso, a tonalidade mais escura da vulva é uma característica comum. A tentativa de alterar completamente essa coloração pode levar ao uso excessivo de produtos ou procedimentos agressivos, aumentando o risco de irritação e manchas ainda mais intensas.

Tratamentos

O tratamento depende da causa e da intensidade da pigmentação. Entre as opções mais comuns estão cremes com ativos despigmentantes e procedimentos realizados em consultório, como alguns tipos de peeling e tecnologias à base de laser.

Os produtos tópicos podem conter substâncias que ajudam a reduzir a produção de melanina ou acelerar a renovação celular. Já os procedimentos realizados em consultório atuam de maneira mais direcionada sobre a pigmentação.

A escolha, porém, não deve ser feita apenas com base em propagandas ou promessas de resultado rápido. A pele da região íntima é mais delicada e pode reagir de maneira diferente de outras áreas do corpo. Por isso, a indicação deve considerar o tipo de pele, a causa do escurecimento e o histórico de irritações.

“Os cremes clareadores tópicos geralmente combinam ácido kójico, niacinamida, ácido azelaico e vitamina C e são indicados para casos leves. Já os peelings químicos, à base de ácido glicólico, mandélico ou lático, são indicados quando há resistência ao tratamento tópico isolado, sempre com protocolo adaptado à sensibilidade da região. E o laser e a luz intensa pulsada atuam diretamente sobre o excesso de melanina, com resultados mais rápidos e duradouros, indicados para casos mais resistentes ou pigmentação mais profunda”, detalha a ginecologista.

O que ajuda a evitar o escurecimento?

Além dos tratamentos, alguns cuidados podem ajudar a reduzir fatores que favorecem a pigmentação. Evitar atrito excessivo, escolher roupas íntimas de algodão e não muito justas, e reduzir agressões provocadas pela depilação com lâmina são medidas que ajudam a preservar a pele.

A hidratação também ajuda a manter a barreira cutânea, principalmente quando a pele costuma ficar ressecada ou irritada após a depilação. Mas, por ser uma área sensível, produtos específicos para a região devem ser usados apenas com a orientação de um profissional.

“Hidratar a região regularmente com produtos específicos, sem perfume, evitar sabonetes agressivos ou muito alcalinos e manter uso contínuo de ativos de manutenção, como niacinamida, ajudam a manter e evitar o escurecimento da área”, acrescenta Macedo.

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