Baixa visão na infância pode afetar desenvolvimento e exige diagnóstico precoce

Especialista alerta que alterações visuais não identificadas podem comprometer aprendizado, autonomia, comunicação e desenvolvimento motor das crianças

Luis Gustavo, Da Redação*


A baixa visão durante a infância pode afetar diversas áreas do desenvolvimento da criança, incluindo aprendizagem, comunicação, coordenação motora, autonomia e interação social. Por isso, especialistas reforçam a importância de identificar alterações visuais o mais cedo possível. 

 

O alerta foi feito pela oftalmologista Maria de Fátima Neri durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, realizado em Salvador. Segundo ela, a baixa visão não deve ser entendida apenas como uma redução da acuidade visual, mas como uma condição que pode interferir na forma como a criança percebe e explora o ambiente.

 

Entre as possíveis causas estão retinopatias provocadas por infecções como sífilis, toxoplasmose e citomegalovírus, catarata e glaucoma congênitos, alterações do nervo óptico, albinismo, doenças hereditárias da retina, alta miopia, doenças neurológicas, deficiência visual cortical ou cerebral e prematuridade. 

 

A avaliação deve considerar não apenas a acuidade visual, mas também o que a criança consegue fazer no dia a dia. Entre os pontos observados estão a capacidade de reconhecer rostos, localizar objetos, brincar com autonomia e se adaptar a diferentes condições de iluminação.

 

Sinais de alerta

Pais e responsáveis devem ficar atentos a comportamentos como dificuldade para acompanhar objetos, pouca fixação do olhar, aproximação excessiva de objetos dos olhos, tropeços ou esbarrões frequentes e dificuldade para enxergar em ambientes pouco iluminados.

 

Também podem indicar alterações a fotofobia ou a busca intensa por luz, dificuldade para reconhecer pessoas e objetos e atrasos no desenvolvimento sem causa definida. 

 

Quando há suspeita de baixa visão, o acompanhamento pode envolver estimulação visual funcional, recursos ópticos e não ópticos, tecnologia assistiva, orientação e mobilidade, além de profissionais como terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos e pedagogos.

 

De acordo com a especialista, quanto mais cedo ocorre a intervenção, maiores são as possibilidades de utilizar a visão residual da criança para desenvolver estratégias funcionais e favorecer sua autonomia.

 

“Encaminhar precocemente uma criança com baixa visão não é apenas tratar a visão; é proteger o desenvolvimento, a autonomia e o futuro dela”, destacou Maria de Fátima. *Com informações da Agência Brasil.

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