A air fryer está mudando até o que os supermercados vendem?

Mais presente nas cozinhas, o aparelho também passa a influenciar formatos, categorias e lançamentos do varejo alimentar

Da Redação


Mais de 35% dos lares brasileiros possuem uma air fryer, segundo levantamento da GfK. A presença do aparelho na rotina doméstica ajuda a explicar por que a indústria passou a desenvolver alimentos pensados para o preparo com ar quente, enquanto os supermercados ampliam categorias voltadas à praticidade.

 

Essa mudança aparece também na forma como alguns alimentos são formulados, porcionados e apresentados ao consumidor. Produtos congelados, snacks e refeições rápidas passaram a considerar um preparo que dispensa a fritura por imersão e reduz o tempo entre a compra e o consumo.

 

Como a air fryer mudou os hábitos de preparo em casa

O crescimento do aparelho acompanha uma transformação mais ampla nos hábitos de alimentação doméstica. Dois a cada dez domicílios no Brasil tinham apenas um morador em 2025. A parcela das residências nessa situação subiu de 12,2% em 2016 para 19,7% em 2025, um aumento de 7,5 pontos percentuais, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) Contínua — Características gerais dos domicílios e dos moradores 2025.

 

Esse perfil de consumidor tende a procurar porções menores, praticidade e produtos que reduzam o tempo de preparo. E a air fryer se encaixa nessa rotina, já que permite preparar alimentos com circulação de ar quente, sem a necessidade de imersão em óleo.

 

No Brasil, o equipamento ocupa uma posição relevante no mercado. Segundo dados da Euromonitor International citados pelo setor, o país está, desde 2020, na segunda colocação mundial em vendas de fritadeiras elétricas, atrás apenas dos Estados Unidos.

 

Da cozinha para a gôndola: alimentos passam a considerar o aparelho

A popularização do equipamento também alterou a maneira como a indústria pensa determinados alimentos. O movimento aparece com mais força entre os congelados. Victoria Gabrielli, diretora da unidade de negócios de batatas e aperitivos da McCain, afirmou ao Giro News que a expansão da air fryer contribui para o crescimento dos congelados associado à busca por conveniência.

 

Outro exemplo aparece nas refeições rápidas, com linhas de alimentos desenvolvidas para ficar prontas em até 20 minutos. O movimento mostra como o aparelho passou a ser considerado ainda na concepção do alimento, e não apenas no momento de preparo.

 

A presença crescente de uma air fryer nos lares ajuda, portanto, a explicar o surgimento de categorias de alimentos desenvolvidas especificamente para esse tipo de preparo. O aparelho não determina sozinho o que chega às prateleiras, mas se tornou mais uma variável observada pela indústria ao pensar conveniência, porções, textura e tempo de preparo.

 

O que essa mudança representa para o varejo?

Para os supermercados, a transformação aparece na composição das categorias. O avanço de alimentos prontos e congelados acompanha uma demanda por produtos que possam sair da embalagem e chegar à mesa com poucas etapas.

 

A mudança nos lares já influencia o tamanho das embalagens, a variedade e a composição do sortimento. Entre os exemplos citados estão refeições prontas, congelados e snacks, categorias que respondem à procura por soluções de menor preparo.

 

A air fryer, portanto, participa de uma mudança maior na relação entre cozinha e indústria. O consumidor continua escolhendo o que comprar, mas os equipamentos disponíveis em casa também passam a influenciar quais características são valorizadas nos produtos: preparo rápido, praticidade e possibilidade de obter uma textura semelhante à fritura sem recorrer à imersão em óleo.

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