Perfil mais conservador pode mudar agenda do Congresso a partir de 2027

Professor da UnB avalia que nova composição do Legislativo tende a priorizar segurança pública e pautas de valores, enquanto temas trabalhistas podem perder espaço

Luis Gustavo, Da Redação*


O avanço de partidos de perfil mais conservador no Congresso Nacional e nos governos estaduais nas eleições de 2026 poderá provocar mudanças na agenda legislativa a partir de 2027. A avaliação é do economista, doutor em ciência política e professor da Universidade de Brasília (UnB), Jeferson Ramos dos Santos.

Segundo o professor, temas como segurança pública, custo de vida, valores e família estiveram entre as principais pautas das campanhas regionais e ganharam destaque entre os eleitores.

Na avaliação do especialista, a nova composição da Câmara dos Deputados e do Senado Federal deverá influenciar o ritmo e o conteúdo das propostas discutidas na próxima legislatura, que começa em 1º de fevereiro de 2027.

Segurança e pautas de valores

Jeferson Ramos dos Santos considera que uma agenda parlamentar com perfil mais conservador poderá dar maior espaço para questões relacionadas à segurança pública e aos chamados temas de valores, enquanto pautas trabalhistas podem avançar em ritmo diferente.

O professor também avalia que o resultado da eleição presidencial terá influência sobre o direcionamento das discussões no Congresso, podendo reequilibrar essas prioridades ou ampliar a tendência observada na composição do Legislativo.

Discussões sobre o STF

Outro tema que poderá ganhar espaço no Congresso é a relação institucional com o Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com o professor, a nova configuração do Senado poderá estimular debates sobre o funcionamento da Suprema Corte, incluindo a extensão dos poderes individuais dos ministros e uma eventual discussão sobre limites para os mandatos.

Jeferson ressalta, porém, que as críticas ao STF tiveram impacto eleitoral menor do que temas diretamente relacionados ao cotidiano da população, já que os ministros da Corte não estavam em disputa nas urnas.

Fim da escala 6x1

Entre as pautas trabalhistas em discussão está o fim da escala 6x1. A proposta tem votação prevista para esta semana no Senado, mas a mudança na composição das duas Casas pode influenciar o ritmo da tramitação.

Para o professor, diante das incertezas sobre o posicionamento dos novos blocos parlamentares, não seria incomum que a votação de propostas relevantes fosse postergada até que as novas forças políticas definissem suas posições.

A avaliação é de que a composição eleita em 2026 deverá produzir mudanças na agenda do Congresso nos próximos quatro anos, mas o desenho definitivo dependerá também do resultado do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro. *Com informações da Agência Brasil.

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