Mensagens revelam ordens de facção para execução de duas jovens em Rochedo

Crime teria sido transmitido ao vivo para integrantes do grupo criminoso

Luis Gustavo, Da Redação


Mensagens interceptadas pela Polícia Civil revelaram detalhes das ordens emitidas por uma liderança do Primeiro Comando da Capital (PCC) para a execução de Ellen Vitória Moreira da Cruz, de 20 anos, e Vitória Gabriely Souza Cordeiro, de 18. O duplo homicídio ocorreu em 23 de setembro, em Rochedo, município de Mato Grosso do Sul.

 

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Conforme as investigações, as jovens foram submetidas a sessões de tortura e julgadas pelo chamado “Tribunal do Crime” durante a madrugada, em uma residência alugada na Avenida Evangelina Vieira. A execução teria sido transmitida ao vivo por um aplicativo de mensagens para integrantes da organização criminosa.

 

Os investigadores identificaram que as ordens partiram de um contato salvo como “Estado KeNNYEL”, vinculado a uma linha telefônica com DDD 11, do estado de São Paulo. As conversas indicam que a ordem para matar as jovens teria sido motivada pela suposta ligação de Ellen com o Comando Vermelho (CV), facção rival do PCC.

 

Na madrugada do crime, por volta das 5h41, o intermediário enviou mensagens com orientações aos executores. “Mata elas sem fzr escândalo”, escreveu. Na sequência, reforçou a determinação para evitar barulho: “Elas não vai grita, fica de boa na calma ae”.

 

Após o duplo homicídio, os envolvidos foram alertados sobre o cerco policial montado na região por equipes do Grupo de Operações e Investigações (GOI) e das polícias Civil e Militar.

Tortura, execução e incêndio

Conforme o boletim de ocorrência, dois homens encapuzados, usando luvas e armados com facas, pularam o muro da residência por volta das 3h.

 

No local, o grupo rendeu um morador e passou a torturar as jovens. A violência se estendeu até por volta das 8h, quando as vítimas foram mortas por esganadura, asfixia e golpes de faca no pescoço e no tórax.

 

Após as execuções, os criminosos atearam fogo no imóvel e fugiram.

Suspeitos foram presos e terceiro envolvido morreu em confronto

A intervenção policial mobilizou equipes em uma operação conjunta para localizar os envolvidos. Dois suspeitos foram presos em flagrante e confessaram participação no crime. Um deles admitiu ter coberto a boca de uma das vítimas por determinação da liderança da facção.

 

O terceiro envolvido, Luiz Carlos Vieira Rodrigues, conhecido como “Bob Esponja”, exercia a função de “disciplina” do PCC na região.

 

Ele morreu após entrar em confronto com equipes da Força Tática da 11ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM) e do GOI. Segundo as informações da ocorrência, o suspeito resistiu à abordagem estando armado.

 

As investigações apontaram que a execução foi resultado de ordens transmitidas pela estrutura de liderança da facção criminosa, evidenciando a participação de integrantes que não estavam necessariamente presentes no local do crime.

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