Etanol em navios pode abrir mercado de até 20 bilhões de litros até 2030

Nova demanda internacional pode ampliar as exportações brasileiras de biocombustível, enquanto governo e produtores discutem regras para o uso do produto no transporte marítimo

Luis Gustavo, Da Redação*


O etanol brasileiro pode conquistar um novo mercado no transporte marítimo internacional, com uma demanda potencial de 15 bilhões a 20 bilhões de litros até 2030. A perspectiva está relacionada à encomenda de 336 navios que poderão utilizar metanol ou etanol como combustível, ampliando as oportunidades para o setor sucroenergético.

 

O Ministério de Minas e Energia iniciou as discussões para regulamentar o uso de biocombustíveis em embarcações, com foco na mistura de etanol ao óleo bunker, combustível derivado do petróleo utilizado em navios.

 

Um primeiro encontro entre representantes do governo e produtores foi realizado no início de outubro, em Brasília. Durante a reunião, o setor produtivo sugeriu a criação de uma agenda de trabalho para discutir as regras de utilização do biocombustível na navegação.

Mistura pode ampliar mercado

Segundo Renato Cunha, presidente do Sindaçúcar-PE e vice-presidente da Bioenergia Brasil, a adição de apenas 10% de etanol ao combustível marítimo poderia representar um mercado potencial de aproximadamente 50 bilhões de litros.

 

O percentual, entretanto, ainda não foi definido como regra. A proposta depende de discussões regulatórias e do alinhamento com as diretrizes internacionais para a redução das emissões no transporte marítimo.

 

O Ministério de Minas e Energia também anunciou, durante o 2º Workshop do Programa Nacional de Combustível de Navegação, realizado em 29 de setembro, que pretende encaminhar ao Congresso Nacional, ainda em 2026, um projeto de lei para instituir uma política nacional de combustíveis sustentáveis para a navegação.

 

A pasta defende que as metas tenham caráter obrigatório, enquanto representantes do setor produtivo destacam a importância de manter a política brasileira alinhada às regras em discussão na Organização Marítima Internacional (IMO).

336 navios poderão utilizar etanol

A expectativa de crescimento da demanda está ligada às encomendas de 336 embarcações que poderão operar com metanol ou etanol. Embora tenham sido projetados originalmente para utilizar metanol, os navios poderão receber adaptações para funcionar com etanol, incluindo ajustes nos bicos injetores e no software dos motores.

 

A previsão é que essas embarcações estejam prontas até 2030, período em que a demanda pelo biocombustível poderá alcançar os volumes estimados pelo setor.

 

Algumas empresas já avançam nessa direção. A Maersk realizou testes com etanol em um navio bicombustível no Porto de Roterdã, nos Países Baixos. A CMA CGM, por sua vez, participou de uma operação de abastecimento com etanol no Porto de Santos, no litoral paulista.

 

A mineradora Vale também começou a encomendar embarcações capazes de operar exclusivamente com etanol, ampliando as possibilidades de utilização do combustível brasileiro no transporte de cargas.

 

Desafio é ampliar o uso de combustíveis sustentáveis

Apesar das perspectivas, a substituição parcial ou total dos combustíveis derivados do petróleo enfrenta resistência de países produtores de petróleo, como os Estados Unidos.

 

O avanço da mudança também depende de decisões internacionais sobre a redução das emissões do transporte marítimo. Uma das medidas em discussão na Organização Marítima Internacional deverá ser votada em dezembro.

 

Para o Brasil, a abertura desse mercado representa uma oportunidade de diversificar o consumo de etanol, tradicionalmente utilizado como combustível automotivo, e fortalecer a participação nacional no fornecimento de alternativas de menor intensidade de carbono.

 

Caso as projeções se concretizem, o transporte marítimo poderá se tornar uma nova frente de crescimento para a produção brasileira de biocombustíveis, com potencial para movimentar bilhões de litros e ampliar as oportunidades comerciais do setor até o fim da década. *Com informações da CNN.

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