Nacional & Geral / Educação
Flávio defende expansão de escolas cívico-militares, enquanto Lula prioriza ensino integral
Propostas dos candidatos à Presidência também incluem mudanças no ensino técnico, valorização dos professores, ampliação de creches e investimentos em tecnologia e universidades
Luis Gustavo, Da Redação*
O debate sobre a educação está entre os temas da disputa presidencial de 2026. Os planos de governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e Flávio Bolsonaro (PL) apresentam prioridades diferentes para o setor, com propostas que envolvem desde a educação infantil até o ensino superior.
Enquanto Lula defende a ampliação da educação em tempo integral e o fortalecimento da rede pública, Flávio Bolsonaro aposta na expansão das escolas cívico-militares, na aproximação entre o ensino e o mercado de trabalho e na participação das famílias nas políticas educacionais.
Educação infantil e alfabetização
Na educação infantil, Lula pretende dar continuidade à construção de 3.562 creches e pré-escolas em 2.360 municípios, por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC). O candidato também propõe ampliar os recursos destinados a estados e municípios para fortalecer a oferta de vagas.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, defende a ampliação das creches em período integral, com alimentação de qualidade. A proposta inclui a criação de um voucher-creche para famílias que não encontrarem vagas na rede pública, permitindo o acesso a instituições privadas credenciadas.
Na alfabetização, Lula estabelece como meta alcançar 80% das crianças alfabetizadas na idade certa até 2030. Flávio propõe priorizar o método fônico, baseado na associação entre sons e letras.
Escolas cívico-militares e ensino integral
Uma das principais diferenças entre os programas está no modelo de organização das escolas.
Flávio defende a expansão das escolas cívico-militares, com foco na disciplina e no desempenho escolar. A proposta retoma uma das principais bandeiras da gestão de Jair Bolsonaro, que implantou um programa nacional voltado a esse modelo.
O candidato também propõe manter as escolas abertas durante as férias, com atividades esportivas, artísticas, musicais e literárias.
Lula, por outro lado, pretende ampliar a educação em tempo integral em todas as etapas e modalidades da educação básica. Nesse formato, os estudantes permanecem na escola por pelo menos sete horas diárias ou 35 horas semanais.
O objetivo é superar a proporção de 25,8% das matrículas em tempo integral registrada como referência no plano, ampliando o acesso dos estudantes a atividades pedagógicas e oportunidades de aprendizagem.
Professores e financiamento da educação
Na área de financiamento, Flávio propõe condicionar os repasses de recursos do orçamento federal para estados e municípios ao cumprimento de metas de aprendizagem.
O candidato também defende a formação continuada dos professores baseada em evidências científicas, embora o plano não detalhe como a medida seria implementada.
Lula pretende manter a política de reajuste do Piso Nacional do Magistério e ampliar as iniciativas de formação e valorização dos profissionais da educação. Entre as propostas está o fortalecimento do Bolsa Mais Professores e do Pé-de-Meia Licenciatura, voltados à formação e à permanência de docentes na rede pública.
Para melhorar o desempenho dos estudantes, Lula também propõe uma estratégia nacional permanente de recomposição e aceleração da aprendizagem, com atenção especial aos anos finais do ensino fundamental e ao ensino médio.
Flávio, por sua vez, prevê a criação do Programa Acolher, que permitiria a estudantes com bom desempenho receber remuneração para ajudar colegas com dificuldades de aprendizagem.
Ensino médio e formação técnica
Os dois candidatos defendem a ampliação do ensino técnico e profissionalizante, mas apresentam estratégias distintas.
Flávio pretende aproximar escolas e empresas, incentivando parcerias com indústrias e o setor produtivo. A proposta prevê que empresas possam financiar a qualificação profissional de jovens por meio de bolsas, preparando os estudantes para as demandas do mercado de trabalho.
Lula também propõe ampliar as oportunidades de formação técnica de nível médio, com expansão da rede de Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia.
O plano prevê a criação de 111 novos institutos federais, com novos campi em 106 municípios, priorizando regiões com baixa oferta de cursos técnicos e áreas com poucas oportunidades educacionais.
O presidente também pretende aprimorar o programa Pé-de-Meia, que oferece incentivos financeiros a estudantes do ensino médio público inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico).
Tecnologia e ensino superior
Na área de tecnologia, Flávio propõe ampliar o acesso das escolas a computadores, tablets, internet e ferramentas de robótica, além de preparar os estudantes para o uso da inteligência artificial e para a educação financeira.
Lula pretende universalizar a conectividade das escolas brasileiras, com investimentos destinados a melhorar a qualidade do acesso à internet e promover a inclusão digital.
No ensino superior, Flávio defende transferir a gestão da área do Ministério da Educação (MEC) para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), aproximando universidades e pesquisa científica. Também propõe mudanças no financiamento estudantil, com pagamentos vinculados à renda do profissional após sua entrada no mercado de trabalho.
Lula, por sua vez, pretende ampliar os investimentos na infraestrutura das universidades federais, concluir a implantação de novas instituições e avançar em projetos como a Universidade Indígena e a Universidade Federal do Esporte.
Pesquisa científica e pós-graduação
Os programas também apresentam diferenças na política de ciência e pesquisa.
Flávio defende direcionar o financiamento científico para iniciativas com impacto produtivo, inovação e transferência de tecnologia. A proposta inclui aproximar universidades e empresas e priorizar cursos de pós-graduação alinhados às necessidades do mercado.
Lula pretende continuar investindo na ampliação e na melhoria da qualidade da pós-graduação, especialmente em regiões com menor oferta educacional. O plano também prevê investimentos em ciência, tecnologia e inovação para fortalecer a indústria, o agronegócio e a competitividade brasileira.
As propostas integram os planos apresentados pelos dois candidatos para a área educacional e evidenciam diferentes visões sobre o papel do Estado, a organização das escolas e a relação entre formação acadêmica e mercado de trabalho. *Com informações da Agência Brasil.
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