Cidades & Região / Angélica
MPMS investiga infestação de moscas e possível ligação com usina em Angélica
Moradores e produtores rurais relatam prejuízos à pecuária, perda de animais e riscos à saúde pública; investigação apura possíveis impactos ambientais da atividade sucroenergética
Da Redação
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio da Promotoria de Justiça de Angélica, instaurou inquérito civil para investigar a proliferação de moscas do estábulo no município e sua possível relação com as atividades de uma usina de açúcar e álcool localizada na zona rural.
A investigação teve origem em denúncias de moradores e produtores rurais, que relataram infestação de insetos, prejuízos à pecuária e transtornos à população. Conforme as informações encaminhadas ao MPMS, o problema estaria associado à perda de animais domésticos, à redução da produção leiteira e a ataques de moscas a pessoas e animais.
Uma das hipóteses investigadas é a possível relação entre a multiplicação dos insetos e o manejo de resíduos orgânicos provenientes da atividade sucroenergética, especialmente a vinhaça, subproduto da produção de etanol. A eventual ligação, entretanto, ainda depende de comprovação técnica.
Diante da situação, o promotor de Justiça Allan Thiago Barbosa Arakaki determinou a instauração do inquérito civil para aprofundar as apurações e verificar possíveis irregularidades ambientais e riscos à saúde pública.
Entre os elementos analisados estão informações de uma fiscalização realizada pela Polícia Militar Ambiental (PMA), que vistoriou o pátio de compostagem de materiais orgânicos e os reservatórios de vinhaça da propriedade onde funciona a usina.
O Ministério Público também examinará documentos técnicos e registros relacionados às atividades do empreendimento, buscando identificar eventuais condições favoráveis à reprodução dos insetos.
Usina possui licença ambiental válida até 2031
Conforme as informações reunidas, a unidade industrial possui Renovação de Licença de Operação emitida pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), com validade até 27 de outubro de 2031.
Apesar da regularidade documental da licença, o MPMS ressalta a necessidade de investigar possíveis impactos ambientais e sanitários relacionados às atividades desenvolvidas pela empresa.
A apuração deverá contar com análise técnica especializada para esclarecer as causas da infestação e verificar se existe relação entre o manejo dos resíduos da usina e os problemas enfrentados pela população.
Investigação busca esclarecer responsabilidades
Com o inquérito civil, o Ministério Público pretende reunir elementos técnicos e documentais para identificar a origem da proliferação das moscas, avaliar possíveis danos ambientais e sanitários e, caso sejam constatadas irregularidades, adotar as medidas cabíveis.
O procedimento segue em andamento e ainda não há conclusão sobre eventual responsabilidade da usina.
A investigação busca assegurar a proteção da saúde pública, do meio ambiente e das atividades agropecuárias desenvolvidas na região de Angélica.
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