Mais de 92 milhões de brasileiros acessam a internet exclusivamente pelo celular, aponta pesquisa

Levantamento divulgado em 2023 mostrou que 62% dos usuários de internet no país dependiam exclusivamente de dispositivos móveis, com maior concentração entre pessoas das classes D e E.

Luis Gustavo, Da Redação*


Mais de 92 milhões de brasileiros acessavam a internet exclusivamente pelo celular, o equivalente a 62% dos usuários da rede no país, segundo a pesquisa TIC Domicílios 2022, divulgada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). Os dados foram publicados em 17 de maio de 2023 e revelaram diferenças significativas no acesso à tecnologia entre grupos sociais.

 

Na época, o Brasil tinha aproximadamente 149 milhões de usuários de internet. Desse total, cerca de 92 milhões utilizavam apenas dispositivos móveis para se conectar, enquanto outros usuários também recorriam a computadores e televisores.

Diferenças sociais no acesso

A pesquisa apontou que o uso exclusivo do celular era mais frequente entre pessoas das classes econômicas D e E, grupo no qual o índice chegava a 84%.

 

As diferenças também apareciam por gênero e raça. Entre as mulheres que utilizavam a internet, 64% acessavam a rede exclusivamente pelo celular. O percentual era de 63% entre pessoas pretas e de 67% entre pessoas pardas.

 

O levantamento também indicou que 142 milhões de brasileiros acessavam a internet todos ou quase todos os dias. A frequência era maior entre as classes A e B, com índices de 93% e 91%, respectivamente.

Milhões de brasileiros ainda estavam desconectados

Apesar da expansão do acesso à internet, aproximadamente 36 milhões de pessoas não utilizavam a rede no período analisado.

 

Desse grupo, cerca de 29 milhões viviam em áreas urbanas e tinham escolaridade até o ensino fundamental. A pesquisa identificou ainda que 21 milhões eram pessoas pretas ou pardas, 19 milhões pertenciam às classes D e E e 18 milhões tinham 60 anos ou mais.

 

Entre os principais motivos para não utilizar a internet estavam a falta de interesse, mencionada por 35% dos entrevistados, e a falta de habilidade para utilizar computadores, apontada por 26%.

Conexão domiciliar também apresentava desigualdades

O estudo estimou que 60 milhões de domicílios brasileiros tinham acesso à internet, o equivalente a 80% das residências do país naquele período.

 

A proporção era de 82% nos domicílios urbanos e de 68% nos rurais. A desigualdade também aparecia conforme a renda: enquanto todas as residências da classe A tinham conexão, o índice era de 97% na classe B, 87% na classe C e 60% nas classes D e E.

 

O preço do serviço era apontado como o principal obstáculo entre as pessoas que não tinham internet em casa, seguido pela falta de habilidade e pela falta de interesse.

 

Realizada anualmente desde 2005, a pesquisa TIC Domicílios acompanha o acesso às tecnologias da informação e comunicação no Brasil, analisando as condições de conectividade e os hábitos digitais da população. Os dados citados nesta reportagem correspondem à edição de 2022, divulgada em maio de 2023. *Com informações da CNN.

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