Pediatras alertam para riscos de brinquedos com inteligência artificial para crianças

Especialistas apontam perigos relacionados à privacidade, à coleta de dados pessoais e à criação de vínculos emocionais com dispositivos que simulam amizade e afeto

Luis Gustavo, Da Redação*


A utilização de brinquedos equipados com inteligência artificial (IA) tem despertado a preocupação de especialistas em saúde infantil. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou um alerta sobre os riscos dessas tecnologias para crianças e adolescentes, com orientações para pais e responsáveis sobre os cuidados necessários na escolha e no acompanhamento desses produtos.

 

Os chamados brinquedos inteligentes são capazes de conversar com as crianças, reconhecer vozes e imagens, memorizar informações e adaptar suas respostas de acordo com as interações. Embora essas funcionalidades possam tornar as brincadeiras mais interativas, também levantam questionamentos sobre segurança, privacidade e possíveis impactos no desenvolvimento infantil.

Riscos à privacidade e ao desenvolvimento emocional

Um dos principais pontos de atenção é a possibilidade de esses dispositivos coletarem informações pessoais por meio de câmeras, microfones e conexão com a internet. Dependendo de seu funcionamento, os brinquedos podem registrar conversas, imagens e informações sobre os hábitos e as preferências das crianças.

 

A preocupação também envolve o uso de linguagem afetiva pelos sistemas de inteligência artificial. Ao simular sentimentos, amizade e apoio emocional, esses dispositivos podem levar crianças a interpretar a tecnologia como uma pessoa real, criando vínculos que exigem atenção dos responsáveis.

 

Especialistas alertam que a interação frequente com sistemas que simulam companheirismo pode contribuir para uma percepção equivocada sobre relacionamentos e afetar a maneira como crianças e adolescentes compreendem os vínculos humanos.

Orientação é avaliar os brinquedos antes da compra

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda cautela, especialmente com brinquedos que utilizam inteligência artificial generativa, permitem conversas abertas, coletam dados pessoais ou simulam relações de amizade e cuidado.

 

Antes de adquirir um produto desse tipo, pais e responsáveis devem procurar informações sobre seu funcionamento, os dados coletados, a finalidade do armazenamento dessas informações e as medidas adotadas pelo fabricante para proteger os usuários.

 

Também é importante verificar se o brinquedo é adequado à idade da criança e acompanhar como ela reage às interações com o dispositivo.

Brincar continua sendo essencial para o desenvolvimento infantil

A entidade destaca que a presença da inteligência artificial não torna um brinquedo necessariamente bom ou ruim. A avaliação deve considerar os benefícios oferecidos, a segurança do produto e sua adequação à fase de desenvolvimento da criança.

 

O brincar desempenha papel fundamental no desenvolvimento da linguagem, da criatividade, das habilidades motoras e da capacidade de convivência. Por isso, a recomendação é que os recursos tecnológicos não substituam as experiências presenciais, a interação com outras crianças e a convivência familiar.

 

O alerta reforça a importância de os adultos acompanharem o uso dessas tecnologias, estabelecendo limites e garantindo que a inovação seja incorporada à infância de maneira segura e responsável. *Com informações da Agência Brasil.

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