Gases de efeito estufa atingem níveis recordes na atmosfera, alerta organização da ONU

Concentração de dióxido de carbono chegou a 426,8 partes por milhão em 2025, enquanto metano e óxido nitroso também registraram máximas históricas

Luis Gustavo, Da Redação*


As concentrações dos principais gases de efeito estufa na atmosfera atingiram níveis recordes em 2025, intensificando os riscos do aquecimento global. O alerta consta em um relatório divulgado nesta terça-feira (27) pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência ligada à Organização das Nações Unidas (ONU).

 

De acordo com o levantamento, a concentração média global de dióxido de carbono (CO₂) chegou a 426,8 partes por milhão (ppm) em 2025, um aumento de 53% em relação aos níveis registrados antes da Revolução Industrial, por volta de 1750.

 

O resultado representa uma elevação de 2,8 ppm em comparação com 2024. Embora o crescimento tenha sido inferior ao registrado no período anterior, quando a concentração aumentou 3,6 ppm, o avanço permaneceu acima da média anual da última década, de 2,62 ppm.

 

O dióxido de carbono é o principal responsável pelo aumento do aquecimento global provocado pelas atividades humanas. Segundo a OMM, aproximadamente metade das emissões anuais desse gás permanece na atmosfera, enquanto o restante é absorvido pelos oceanos e pelos ecossistemas terrestres.

Metano e óxido nitroso também preocupam

O relatório aponta que outros dois importantes gases de efeito estufa também atingiram concentrações sem precedentes em 2025.

 

O metano (CH₄) chegou a 1.948 partes por bilhão (ppb), volume 167% superior ao registrado antes da industrialização. O gás responde por aproximadamente 16% do efeito de aquecimento provocado pelos gases de efeito estufa de longa duração.

 

Cerca de 65% do metano presente na atmosfera tem origem em atividades humanas, como a criação de gado, o cultivo de arroz, a exploração de combustíveis fósseis, os aterros sanitários e a queima de biomassa. O restante provém de fontes naturais, incluindo áreas úmidas.

 

Já o óxido nitroso (N₂O) alcançou 339,1 partes por bilhão, um nível 26% acima do período pré-industrial. Entre as fontes de emissão estão o uso de fertilizantes agrícolas, a queima de biomassa e determinados processos industriais.

 

Apesar de sua concentração ser menor que a de outros gases, o óxido nitroso possui elevado potencial de aquecimento. Cada molécula pode contribuir cerca de 270 vezes mais para o aquecimento global do que uma molécula de dióxido de carbono, considerando o potencial de aquecimento ao longo de cem anos.

Acúmulo de gases mantém pressão sobre o clima

A OMM ressalta que o boletim avalia a concentração dos gases acumulados na atmosfera, e não apenas o volume de novas emissões registrado durante o ano.

 

O aumento contínuo dessas concentrações significa que mais calor fica retido na atmosfera, contribuindo para a elevação das temperaturas globais e ampliando os riscos associados a fenômenos meteorológicos extremos.

 

A organização também destaca que o dióxido de carbono permanece na atmosfera por períodos prolongados, podendo influenciar o clima durante décadas ou até séculos.

 

Embora a redução do ritmo de crescimento do CO₂ entre 2024 e 2025 possa estar relacionada à recuperação da capacidade de absorção de carbono pelos ecossistemas terrestres e à diminuição das emissões provenientes de incêndios, o resultado ainda representa um acréscimo significativo de gases à atmosfera.

 

O relatório reforça a importância da redução das emissões e do acompanhamento contínuo da composição atmosférica para compreender a evolução das mudanças climáticas e orientar medidas de enfrentamento do aquecimento global. *Com informações da Agência Brasil.

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