Policial / Polícia
Operação mira comunicação de líder de facção preso em Campo Grande com integrantes em liberdade
Ação conjunta cumpre mandados no Rio de Janeiro e em Belford Roxo para desarticular esquema que utilizava familiares como mensageiros entre a liderança encarcerada e a cúpula da organização criminosa
Luis Gustavo, Da Redação
A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Mato Grosso do Sul (FICCO/MS) e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado Nacional do Ministério Público Federal (GAECO Nacional/MPF) deflagraram, nesta quinta-feira (29), a "Operação Cesura", com o objetivo de desarticular um canal de comunicação utilizado por uma das principais lideranças de uma organização criminosa de atuação nacional, presa na Penitenciária Federal de Campo Grande.
Segundo as investigações, o líder mantinha contato com integrantes da cúpula da organização que permanecem em liberdade por meio de familiares, que atuariam como intermediários na transmissão de mensagens.
As equipes cumprem um mandado de prisão preventiva, dois mandados de prisão temporária e dois de busca e apreensão nos municípios do Rio de Janeiro e de Belford Roxo, no estado fluminense. A prisão preventiva é cumprida na própria Penitenciária Federal de Campo Grande, onde o investigado continuará custodiado.
As medidas foram autorizadas pela 3ª Vara Federal de Campo Grande.
Investigação identificou familiares como mensageiros
A investigação começou a partir de provas compartilhadas pelo GAECO do Ministério Público Federal no Rio de Janeiro, obtidas durante a Operação Red Fox, que apura o tráfico internacional de armas de grosso calibre e drogas pela fronteira norte do país.
A análise de dados de uma das principais lideranças da facção que permanece em liberdade, atualmente foragida da Justiça, revelou que dois familiares do líder preso estariam atuando como mensageiros entre ele e os demais integrantes da organização criminosa.
De acordo com os investigadores, um dos suspeitos visitava frequentemente a liderança custodiada em Campo Grande, após manter contatos com o integrante da facção que está foragido no Rio de Janeiro.
Mensagens analisadas durante a apuração também indicariam que integrantes da organização criminosa continuam reconhecendo o preso como uma de suas principais lideranças, mesmo após seu encarceramento.
Patrimônio de investigado também entrou na mira
Outro ponto identificado pela investigação envolve um dos suspeitos, que ocupa um cargo comissionado em uma câmara municipal da Baixada Fluminense.
Conforme as apurações, o investigado adquiriu, nos últimos dois anos, patrimônio que, em uma análise preliminar, seria incompatível com a renda declarada.
A Operação Cesura busca interromper o fluxo de comunicação entre a liderança presa e os integrantes da organização criminosa que permanecem em liberdade, além de reunir elementos para o aprofundamento das investigações.
A FICCO/MS é composta pela Polícia Federal, Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal Estadual (Agepen), Polícia Penal Federal, vinculada à Secretaria Nacional de Políticas Penais, e Guarda Civil Metropolitana de Campo Grande.
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