Policial / Polícia
Operação prende sete e mira esquema milionário de tráfico de drogas em MS
Investigação da DEFRON identificou depósito subterrâneo de drogas em Caarapó; grupo é ligado à apreensão de 5,6 toneladas de entorpecentes e três caminhonetes roubadas
Da Redação
A Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira (DEFRON) deflagrou, nesta quinta-feira (29), a "Operação Bunker", com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada no transporte, armazenamento e distribuição de grandes carregamentos de drogas entre a região de fronteira e os municípios de Caarapó e Dourados.
A ação resultou na prisão de sete pessoas, sendo cinco por mandados de prisão preventiva e duas em flagrante. Também foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão, que resultaram na localização de uma arma de fogo e munições.
Os investigados são apontados como integrantes dos núcleos central, logístico e financeiro da organização. A Justiça também determinou o bloqueio de valores em contas bancárias, contas de pagamento e aplicações financeiras vinculadas aos suspeitos e a empresas relacionadas ao esquema.
Depósito subterrâneo e oficina de fachada
Equipes da DEFRON deflagraram a Operação Bunker nesta quinta-feira (29), com sete prisões e sete mandados de busca e apreensão - Fotos: Divulgação/Polícia Civil
As investigações identificaram uma estrutura criminosa com divisão de tarefas e logística especializada. Em Caarapó, o grupo teria construído um compartimento subterrâneo destinado a esconder e armazenar grandes quantidades de entorpecentes.
No mesmo imóvel funcionava uma oficina mecânica que, segundo a Polícia Civil, era utilizada como fachada para as atividades ilícitas. O estabelecimento também serviria de apoio à manutenção, preparação e adaptação dos veículos empregados no transporte das drogas.
A organização ainda utilizava imóveis alugados em nome de terceiros e familiares para dar suporte às operações. A movimentação financeira ocorria de forma fragmentada, por meio de contas de pessoas físicas e empresas do setor automotivo, numa tentativa de dificultar o rastreamento dos recursos.
Caminhonetes roubadas eram utilizadas no tráfico
Uma das principais linhas de investigação da DEFRON concentrou-se na utilização de caminhonetes Toyota Hilux SW4 para transportar grandes carregamentos de drogas da fronteira para outras regiões.
Conforme a polícia, os veículos eram furtados ou roubados, tinham placas e sinais identificadores adulterados e passavam a integrar a estrutura logística da organização criminosa.
A investigação também aponta uma possível relação entre a demanda desses veículos pelo tráfico e os registros de furtos e roubos do modelo em Mato Grosso do Sul.
Prejuízo de R$ 12,5 milhões
A Operação Bunker teve origem em duas apreensões realizadas pelo Departamento de Operações de Fronteira (DOF), sendo a mais recente em agosto deste ano.
A partir dessas ocorrências, a DEFRON conseguiu identificar conexões entre os carregamentos, apontar os suspeitos e individualizar suas funções dentro do esquema.
Ao todo, as ações resultaram na apreensão de 5.675,805 quilos de drogas, sendo 5.668,005 quilos de maconha e 7,8 quilos de haxixe marroquino.
Também foram recuperadas três caminhonetes Toyota Hilux SW4 com registros de furto ou roubo e placas falsificadas.
Somando os entorpecentes e os veículos apreendidos, o prejuízo financeiro direto estimado à organização criminosa chega a R$ 12.581.810,00.
Justiça determina bloqueio de recursos
Além das prisões, a operação busca atingir a estrutura financeira do grupo. Após representação da autoridade policial, a Justiça determinou o bloqueio cautelar e o sequestro de valores vinculados aos principais investigados e às empresas relacionadas à organização.
A medida pretende interromper a movimentação de recursos ilícitos, enfraquecer a capacidade operacional do grupo e assegurar eventual perda de bens provenientes das atividades criminosas.
A operação contou com apoio do DOF, da 1ª Delegacia de Polícia de Dourados, dos Setores de Investigações Gerais (SIG) de Caarapó e Fátima do Sul e do Canil da Polícia Militar.
As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos e apurar conexões com organizações criminosas que atuam na faixa de fronteira de Mato Grosso do Sul.
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