A delegada-chefe da 3ª DP, Cláudia Alcântara, pediu à Justiça, na tarde desta terça-feira (12), a prisão preventiva do empresário Chrisanto Lopes Galvão Netto, decorador de festas de casamento que sumiu depois de suspender os serviços para os quais havia sido pago. Segundo a delegada, 60 noivas já prestaram ocorrência contra Netto. O prejuízo já soma R$ 1,315 milhão.
Cláudia afirmou que as investigações indicam que o decorador está em Paris. Registros da Polícia Federal apontam que Galvão Netto embarcou para a capital francesa na última quarta feira (6). Para a delegada, o empresário "empreendeu fuga".
"Ontem nós procuramos o Netto em todos os locais que ele poderia residir e em todos ele não estava. Ele mudou desses lugares e ninguém sabe o atual endereço dele no Brasil. Ele mudou dos endereços e não deixou nada. Está claro que ele está fugindo da ação policial."
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Ela disse que pretende ir ao Tribunal de Justiça do DF por volta das 15h desta terça para protocolar o pedido de prisão e outras ações relacionadas ao caso, mas ela não adiantou detalhes.
Galvão Netto será indiciado nos 60 casos por estelionato. Se condenado, ele pode pegar de 1 a 5 anos por cada ocorrência registrada.
A empresa do decorador funcionava em uma loja na quadra 303 do Sudoeste. Nesta sexta-feira (8), a porta estava trancada e não havia nenhuma identificação. A informação dos vizinhos da empresa é que os funcionários foram dispensados na última quinta-feira e ninguém voltou ao local depois disso.
'Calote'
De acordo com as vítimas, o empresário enviou uma carta às noivas dizendo que devolveria o dinheiro recebido, mas sumiu e não restituiu os valores. A delegada afirmou que Galvão Netto era policial militar, estava afastado e voltou ao serviço em abril deste ano. Desde então está de licença médica. Ela não soube dizer o motivo do afastamento. Segundo a PM, Galvão pediu afastamento sem remuneração há três anos para cuidar de "assuntos pessoais".
Cláudia contou que ele enviou uma carta às noivas na tarde da última sexta (8) “pedindo desculpas” e dizendo que, por conta da situação financeira do país, teve de cancelar os contratos. O decorador afirmou ainda na carta que estava em depressão.
A administradora Cristina Leal, uma das vítimas, disse que tinha uma reunião com o empresário no dia em que ele foi para Paris. “Eu liguei para ele para falar sobre o contrato, e ainda brinquei se podia dormir tranquila. Ele respondeu que sim e que a decoração [da festa] seria um sucesso.”
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