Obesidade e ansiedade, elas andam de mãos dadas

*Dr. Nilton Octaviano


“Como, porque estou ansiosa”.

“Estou gorda assim, por causa dessa minha ansiedade”.

“Preciso controlar minha ansiedade para conseguir perder peso”
 

Esta armadilha está frequentemente, na vida das pessoas obesas. È essa explicação que elas, geralmente têm para o seu excesso de peso. Portanto, quando chegam ao consultório, o que elas querem é aprender a controlar sua ansiedade ou livrar-se dela, porque só assim conseguirão controlar o comer demais.

Para a pessoa obesa, esta relação é fortalecida porque de fato, a comida na boca é prazerosa e parece reduzir os níveis de ansiedade naquele momento.

Quando está ansiosa, come; quando come, engorda; engordando, fica ansiosa e quando está ansiosa... Havendo assim, uma repetição no ciclo. Sendo assim, ambos os comportamentos comer e ficar ansioso não devem ser analisados isoladamente, mas sim a partir do contexto de vida de cada pessoa, bem como suas predisposições genéticas e determinantes biológicas.

Observa-se também que estas pessoas, além de serem ansiosas, têm muita dificuldade de delimitarem seu espaço pessoal. São pessoas que, normalmente, não estabelecem limites aos outros, permitindo desta forma uma invasão dos demais à sua vida, à sua privacidade, colocando-se em segundo plano. Esta dificuldade está relacionada com sua baixa autoestima, pois acredita que será aceita por todos devido à sua utilidade, visto não acreditar possuir valor enquanto pessoa física. É muito comum a pessoa obesa ter sua autoestima e autoimagem rebaixadas.

Também se encontra frequentemente, desanimada, inferior e frustrada por não conseguir corresponder às expectativas que a mídia impõe quanto ao corpo perfeito; por não controlar-se frente ao alimento; por quebrar diversos regimes aos quais já se submeteu; por observar seu corpo sofrer o “efeito sanfona”. Desta forma, procura ignorar seu corpo, pois este se torna extremamente aversivo.

Este aspecto compromete a pessoa em vários papéis de sua vida: no social, sexual, profissional, conjugal etc.

Não valorizando sua qualidade de vida, deixa de se cuidar, ou seja, não faz exercícios físicos nem seleciona os alimentos a serem ingeridos, podendo assim, desenvolver outros problemas de saúde física. Estabelecendo assim, novo ciclo vicioso.

“Não se gosta, não precisa se arrumar, até porque nada veste bem”.
“Nada veste bem, é melhor nem sair de casa”.
“Não se gosta, não se dá valor, então não se importa com sua saúde”

Outro aspecto importante a ser observado é a ausência de outras fontes de prazer na vida de pessoas obesas.

A obesidade também tem atingido crianças e adolescentes, nestes casos os cuidados devem ser tomados o mais rápido possível, evitando assim, problemas mais sérios como, por exemplo, embolia pulmonar, hipertensão, fadiga etc.

Recomenda-se então, em todos os casos de obesidade, o tratamento psicoterápico, ao qual será realizada uma avaliação da causa do problema.

Após ocorrer o levantamento da problemática, serão utilizadas técnicas de autocontrole com enfoque na abordagem cognitivo-comportamental. Uma vez identificados problemas emocionais e/ou cognitivos será analisada a história de vida da pessoa desde sua infância até os dias atuais, verificando o agente desencadeador de tal ansiedade e/ou conflito interno.

As mudanças interiores são as mais difíceis de serem efetuadas, demandam enfrentar nossos piores medos, mas são extremamente necessárias para que possa realmente ocorrer o processo de cura, mudança de autoestima e diminuição dos transtornos alimentares que induzem ao quadro de obesidade.

*Médico e diretor do Hospital Regional
 

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