MST inicia retirada de fazenda ocupada em Batayporã, após acordo com INCRA

Redação


No início da tarde desta sexta feira (20), sete dias após a ocupação da Fazenda Boa Esperança, localizada as margens de Rodovia MS 134 (cascalhada), que liga Batayporã ao Porto São José, o ouvidor do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) Sidnei Ferreira de Almeida, esteve juntamente com a Polícia Militar do 8º BPM, conversando e acertando a reintegração de posse expedido pelo Tribunal de Justiça de Batayporã, com os acampados do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).

Segundo os integrantes do movimento, eles reclamam da demora que o INCRA faz para regularizar a situação dos acampados, que estão nas beiras de rodovias do Vale do Ivinhema a mais de sete anos, sem uma solução. Ainda segundo o movimento, não a condições mínimas de vida, como alimentação, lonas, pregos e um resultado satisfatório, onde o INCRA toda fez que vem nas situações emergenciais, prometem e não cumprem.

O movimento também aponta algumas áreas que poderiam passar por vistorias, como é o caso das fazendas Santa Elidia e Peixinho em Batayporã, em Novo Horizonte do Sul Angical e Vista Alegre, Angélica Teixeirinha, Eliane e Príncipe Philip, Ivinhema Auxiliadora e em Nova Andradina São Miguel da Catequese, Ipê Branco e Fazenda Guarani.

O grupo do MST ainda relata que a usina instalada em Batayporã, faz desmatamento ilegal, onde sempre realizam os serviços em horários noturnos para driblar a fiscalização, “agora quando é um sem terra que quebra um galho para fazer um barraco, o fazendeiro registra um B.O. achando que somos bandidos, todos nos tratam dessa forma”, desabafa um integrante.

INCRA
O ouvidor agrário Sidnei, depois de ouvir as reivindicações do movimento, comprometeu-se que as famílias receberão as respostas que estão entaladas na Justiça e no INCRA, disse ainda que Celso Cestari, superintendente do INCRA no MS, vai visitar a região nas próximas semanas e levantar pessoalmente e acompanhar as situações processuais do movimento que espera há anos um resultado satisfatório.

Nas negociações, os representantes do governo comprometeram-se em agilizar para as famílias, bobinas de lonas, pregos e na questão alimentar, também trará uma solução, as famílias que desocuparam a fazenda nesta sexta feira, contaram com transportes para a mudança que será nas margens da Rodovia MS 134 (cascalhada).

Em todo o momento, mais de 35 policiais militares se fizeram presente e nenhum conflito foi registrado por parte da polícia, as negociações foram pacíficas, boa parte dos integrantes saíram hoje e o restante deve sair amanhã, cumprindo a ordem judicial.

Abril Vermelho
Invasões de terra, ocupações de prédios, bloqueio de rodovias e protestos dão a tônica de mais um ‘abril vermelho’, ou a‘jornada de luta’ como o movimento prefere chamar, promovido pelo MST – Movimento dos Sem Terra para chamar a atenção do governo sobre a tão propalada e prometida reforma agrária.

O governo faz promessas e está sentindo na pele o drama vivido por governos anteriores, que também enfrentavam o problema das invasões e recebiam críticas por só fazer promessas, e não tratar o assunto com a devida responsabilidade.

Com o governo petista, os sem-terra acreditavam que enfim a tão esperada Reforma Agrária, com todas as suas benesses, seria concretizada. Afinal, quem hoje está no poder sempre apoiou as reivindicações e as ações dos que lutam pela terra. Mas o que se vê hoje são as mesmas reivindicações do passado. A diferença está na complacência com as ocupações. Pelo andar da carruagem, muitos outros “abris vermelhos” ainda estão por vir até que as reivindicações dos sem-terra sejam atendidas.

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