DEM e PSD travam luta silenciosa para indicar vice de Serra

Redação


O nome do vice de José Serra (PSDB) na disputa pela prefeitura de São Paulo será decidido na "madrugada da convenção", que deve ser realizada no dia 17 de junho. É assim que membros da liderança do PSDB tratam o assunto. A ordem do partido é tentar fazer com que a definição seja tomada sem precipitação e com 100% de certeza baseado no que os partidos que "concorrem" à vaga de vice podem oferecer aos tucanos.

Apesar do silêncio, Rodrigo Garcia (DEM) e Alexandre Schneider (PSD) são os favoritos do PSDB, mas Eduardo Jorge (PV), secretário do Meio Ambiente na capital paulista, corre por fora e pode aparecer como um bom nome para Serra. Os partidos envolvidos também mantêm a mesma cautela dos tucanos ao falar sobre o assunto.

O DEM aguarda mais partidos, como o PP e o PTB, firmarem a coligação com o PSDB para "sentar" e discutir o assunto. Porém, a liderança do DEM afirmou que irá reivindicar o cargo de vice de Serra. "Fechado esse arco, com partidos principais, sentaremos, cada um com seu tamanho, e começaremos a discutir a questão", afirmou um dos membros do DEM. De acordo com o partido, terá a maior chance quem tiver maior tempo de TV, apesar de não ser uma condição. "O tempo de TV dá o tamanho de todos e inicia-se um processo de consenso", completou.

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A ordem também é de paciência pelo lado do PSD. O partido do ex-secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider (PSD), aguarda a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o aumento da verba do fundo partidário, que acarretaria em um maior tempo de rádio e TV. Segundo a legislação, todos os 29 partidos do país recebem igualmente 5% do total do fundo, os 95% restantes são distribuídos conforme a proporção de votos recebidos pelos partidos na disputa à Câmara. A sigla criada em 2011 pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, não participou da eleição passada, mas reivindica no TSE sua fatia nos 95%, já que atualmente é a terceira maior bancada na Casa. O impasse é se os deputados que migraram para o PSD podem ou não transferir seus votos no cálculo do fundo partidário e, consequentemente, aumentar o tempo de rádio e TV na eleição de outubro.

Iniciada mês passado, a votação no TSE está 2 a 1 em favor do PSD, mas foi suspensa. O ministro Dias Toffoli pediu vista. O retorno do tema ao plenário do tribunal deve ocorrer apenas dia 16 de junho, um dia antes da convenção do PSDB. Caso o PSD vença a "disputa", ficará mais viável pleitear a posição de vice.

Procurado pelo Terra, o cientista político Francisco Fonseca afirmou que não há "boa opção" para José Serra. De acordo com o professor da Fundação Getúlio Vargas, as duas principais opções são "problemáticas". "Acho que não há melhor opção com a lógica do PSDB. Tem que ser o que é 'menos pior'. Mas em política tudo se resolve com um grande acordo. Não me parece que tenha favorito nessa disputa", afirmou.

Para Fonseca, a opção pelo PSD não seria apropriada porque o partido perdeu seu "poder de fogo" por conta dos problemas com o fundo partidário. "Um vice do PSD implicaria um projeto político maior do que essas eleições. Traria o grupo político do Kassab (prefeito de São Paulo e presidente do PSD) com uma aliança mais orgânica. É um partido camaleão, que está com tudo e com todos. O Kassab é um prefeito mal avaliado, com baixa popularidade e a companhia dele é problemática", disse o professor.

Questionado se o DEM seria prejudicado por conta dos escândalos envolvendo o senador Demóstenes Torres, que saiu do partido com a iminência de ser expulso por causa das denúncias de envolvimento com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, o cientista político afirmou que o fato não seria o principal ponto negativo do DEM.

"Mais do que os escândalos, é um partido sem voto, moribundo no Brasil. É um partido decadente, que perde voto e eleições em todos os lugares. Além disso, a opção pelo DEM também seria pensando a longo prazo. Ele só sobrevive em São Paulo por causa do PSDB. Sem ele, simplesmente o partido morre. Porém, tem algum tempo na TV e tem fundo partidário", disse.

O deputado federal Rodrigo Garcia diz não acreditar que os escândalos prejudicarão sua possível candidatura a vice na chapa de Serra. "De forma nenhuma. É um problema que enaltece a postura do partido, que tomou uma atitude que não é comum. Não passamos a mão na cabeça, expulsamos", afirmou Garcia.

A reportagem do Terra tentou entrar em contato com Alexandre Schneider, mas não conseguiu. Em nota, a assessoria do PSD afirmou que "o partido, desde as primeiras conversas para a formação de aliança eleitoral com o PSDB na cidade de São Paulo, deixou claro que a escolha do nome para o cargo de vice-prefeito cabe exclusivamente ao pré-candidato José Serra. Desta forma, não cabem comentários sobre favoritismo deste ou daquele nome ou mesmo sobre o processo de escolha".

Terra

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