O salvamento da mãe

*Rodrigo Alves de Carvalho


Wladimir acordou sonolento naquela quarta-feira. Levantou da cama, foi ao banheiro, tomou um banho, trocou de roupa, bebeu um café esquentado que fizera no dia anterior e foi para o trabalho.

Somente com o passar das horas e a agitação em sua repartição fizeram Wladimir ir despertando aos poucos. Quando era mais ou menos dez horas da manhã, deu um salto de sua cadeira naquele escritório de contabilidade e assustado, como se recebera uma mensagem mental ou quem sabe numa espécie de sexto sentido, o rapaz gritou:

- Preciso salvar minha mãe!

Andrade, o contador que trabalhava ao lado se assustou com tal atitude:

- Está louco homem?

Wladimir com os olhos arregalados coçando a cabeça estava em desespero:

- É sério! Preciso ir embora senão minha mãe poderá morrer!

Os outros funcionários do escritório de contabilidade se levantavam um a um para saber o porquê daquela gritaria de Wladimir.

- Vou para casa. Acho que ainda dá tempo de salvar mamãe!

Pegou seu casaco e se preparava para sair. Roberto, o chefe da repartição chega com sua habitual cara de sapo boi.

- O que está acontecendo Wladimir? Todo mundo aqui parou de trabalhar por causa de você!

- Vou para casa chefe. Senão poderá ser fatal para minha mãe.

Sem entender, Roberto preparava para dizer que se ele saísse não precisaria voltar, porém antes de abrir a boca, Wladimir já estava no elevador.

Deixou o prédio e na rua movimentada embaixo de um aguaceiro que caia naquela hora, nenhum taxi à vista. Saiu correndo rumo ao metrô que ficava há três quadras, corria dignamente como um velocista de cem metros rasos.

Ao chegar no metrô teve que esperar por quase quinze minutos para embarcar. Foram os quinze minutos mais longos de sua vida, pois a cada segundo sabia que sua mãe poderia partir desta para melhor.

Após parar em três estações, finalmente chegou ao seu bairro. A chuva havia aumentado e Wladimir teve que enfrentar fortes corredeiras e diversos tombos na água suja que era despejada de bueiros entupidos.

Após muito penar, sujo, encharcado e cansado, Wladimir consegue chegar em seu prédio, onde morava sozinho numa pequena quitinete.

Subiu correndo as escadas até o oitavo andar. Ao entrar em casa escorregando pelo chão devido aos sapatos molhados ele chega até o quarto onde se abaixa diante sua cama e desvira os chinelos que havia deixado sem querer quando sonolento acordara naquela manhã.

Exausto, Wladimir desaba na cama. Feliz por ter salvado sua mãe dos terríveis chinelos virados para baixo.

 

*Jornalista, escritor e poeta, nasceu em Jacutinga (MG), possui diversos prêmios literários em vários estados e participação em importantes coletâneas de poesia, contos e crônicas. Em 2018 lançou seu primeiro livro individual intitulado “Contos Colhidos” pela editora Clube de Autores.

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