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Polícia suspeita que jornalista tenha sido vítima de ataque promovido por narcotraficantes

Léo Veras, de 52 anos, foi morto com 12 tiros em Pedro Juan Caballero
Da Redação / Imagens: Redes sociais
13/02/2020 17h30
Léo Veras, foi morto por pistoleiros na noite desta quarta-feira (12),em Pedro Juan Caballero / Imagens: Redes sociais

Lourenço Veras, de 52 anos, conhecido na fronteira por Léo Veras, onde atuava como jornalista e proprietário do site “Porã News”, pode ter sido vítima de ataque promovido por narcotraficantes de Pedro Juan Caballero (Paraguai), que negociam diretamente o tráfico de drogas e de armas com facções brasileiras, principalmente com o PCC (Primeiro Comando da Capital), é a suspeita da Polícia Nacional daquele país.

 

Segundo publicação do “Uol”, policiais paraguaios informaram que o ataque pode ter como autor intelectual o narcotraficante Edson Barbosa Salinas, conhecido como Ryguasú, preso em Ponta Porã em 18 de janeiro. Ele era acusado de ter assumido o comando do tráfico no local depois de Sérgio de Arruda Quintiliano Neto, o Minotauro, ter sido preso, em fevereiro do ano passado.

 

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Ryguasú era apontado como o braço direito de Minotauro. Investigações das polícias brasileira e paraguaia apontam que ele tem envolvimento nos assassinatos de um traficante e de uma advogada da região da fronteira, além de ser dono de uma casa em Pedro Juan Caballero onde 15 chefes do PCC foram presos em fevereiro do ano passado.

 

Parte desses homens presos estava entre os 75 fugitivos do presídio regional na cidade paraguaia. A fuga ocorreu na madrugada de 19 de janeiro deste ano. Segundo a Polícia Nacional do Paraguai, a fuga foi estimada em ao menos R$ 6 milhões, sendo que parte dos criminosos saíram pela porta da frente do presídio, após terem ameaçado e pagado propina a agentes.

 

Ignacio Rodriguez Villalba, chefe da Polícia Nacional, afirmou que a morte está vinculada a publicações feitas pelo jornalista sobre o crime organizado fronteira. Ele afirmou que a corporação está empenhada para encontrar os assassinos e seus mandantes.

 

Jornalista relatava ameaças

Além de ser dono de um site de notícias local, Léo Veras colaborava com meios de comunicação brasileiros e paraguaios. Era considerado um dos principais jornalistas de segurança pública na região desde que começou a trabalhar na fronteira, há 15 anos. Pelo trabalho, o jornalista relatava constantemente ameaças sofridas por criminosos.

 

Recentemente, ele afirmou à TV Record, em reportagem especial do Domingo Espetacular, que vinha sofrendo ameaças. "Enviam mensagem de texto, falando que estavam a caminho de ir embora, alguém ia sofrer ataque e que era para fechar a boca", afirmou. Ao “Uol”, o profissional também relatou, dias antes de morrer, que ele e sua família viviam com receio de serem atacados a qualquer momento.

 

Em outra entrevista, em 2017, ao programa Tim Lopes, do jornalista Bob Fernandes, Léo Veras falou sobre o assassinato de outro jornalista da fronteira, Paulo Rocaro, e 2012. "Peço que não seja tão violenta a minha morte, que não seja com tantos disparos de fuzil", disse à época.

 

"Se um pistoleiro quer te matar, ele vem na sua porta e quando você abrir, ele vai te dar um disparo. Espero que seja só um disparo, para não estragar tanto", complementou, sorrindo, na entrevista de 2017.

 

Em nota, o Sindicato de Jornalistas do Paraguai mostrou "indignação e dor" pelo assassinato. "A dor e a raiva nos invadem novamente diante do décimo nono colega assassinado no nosso país. Vemos que mais uma vez os grupos criminosos tentam apagar a voz dos jornalistas através das balas e da violência, perante a cumplicidade de um estado totalmente inficionado pela máfia e pela narcopolítica", informou.

 

Segundo o sindicato, hoje os profissionais atuam "sem mínimas garantias de segurança." A entidade ainda cobrou das autoridades paraguaias ações de imediato que "garantam a vida e a segurança dos colegas da área, além de conseguir esclarecer este terrível crime e julgar devidamente os culpados, evitando que novamente a impunidade se instale."

 

Por isso, Pedro Juan Caballero é utilizada como um local de passagem para o tráfico internacional de drogas e de armas. Uma vez no território nacional, a droga é enviada aos principais portos do país e, de lá, exportada para Europa, África e Ásia dentro de navios, o que é tido como a principal forma de ganhar dinheiro da facção.

 

Em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, a fronteira com o Paraguai tem as polícias Militar, Civil, Federal e a Guarda Municipal de Fronteira atuando na segurança. Os principais crimes registrados na cidade este ano foram violência contra mulher e perturbação de silêncio.

 

Já em Pedro Juan Caballero, a cidade paraguaia que faz divisa com o Brasil, a segurança é feita pela Polícia Nacional, Senad (Secretaria Nacional Antidrogas) e divisão de investigações da polícia. Na cidade, no ano passado, houve 150 homicídios ligados ao crime organizado.



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