Sentado numa mesinha na calçada, do lado de fora do bar lotado, aguardava minha porção de torresmo.
Como sempre fazia, desde que me separei da Luana, toda sexta-feira, sentava em uma das mesinhas na calçada, pedia uma cerveja puro malte e uma porção de torresmo, quando a porção chegava, a minha cerveja inevitavelmente já acabara e eu pedia mais duas, para saborear a iguaria pururucada.
Porém, o garçom só levava a porção até a mesa, após observar que a Luana havia chegado.
— Demorou um pouco hoje.
— Passei na minha mãe para ver se estava tudo bem.
— Algo errado?
— Nunca se preocupou com minha mãe enquanto estávamos juntos e agora quer saber dela!
— Ora Luana, sua mãe nunca foi com minha cara, mas também nunca me destratou.
— Ah esquece! Ela está bem.
— Toma sua cerveja, senão esquenta.
— Cadê o torresmo?
— Já está chegando.
Luana estende seu braço e eu seguro sua mão.
— Sabe Luana, às vezes fico pensando em nós dois.
— Nem vem com essa história. Você sabe que entre nós não tem como mais dar certo!
— Eu sei. Mas é que bate uma saudade...
— Nos vemos toda sexta-feira!
— Eu sei Luana, mas às vezes eu penso em algo mais.
O Garçom se aproxima da mesa e sem jeito curva-se para falar.
— Desculpa senhor, mas como o bar está lotado e o senhor sempre pede para aguardarmos um pouco para prepararmos sua porção, o torresmo acabou acabando.
Luana se levanta.
— Não tem torresmo?
— Calma Luana. Vamos pedir outra coisa. Garçom, traz uma porção de croquete!
— Nada disso. Você sabe muito bem que só venho a esse bar para te ver, se tiver a porção de torresmo!
O garçom sai assustado.
— Sem a porção de torresmo, não quero te ver.
E a Luana vai embora.
Desconsolado e meio atônito, tento aceitar a situação, até que a porção de croquete chega.
Logo, se aproxima uma moça loira, de cabelos curtinhos, magrinha e muito bonita.
— Esse croquete parece delicioso!
— Pode experimentar. Qual o seu nome?
— Prazer, meu nome é Bruna e o seu? Nossa, esse croquete é maravilhoso! Posso me sentar?
Agora, toda sexta-feira, me sento numa mesinha na calçada, do lado de fora do bar, peço uma porção de croquete, duas cervejas puro malte, e espero a Bruna chegar.
*Jornalista, escritor e poeta, nasceu em Jacutinga (MG), possui diversos prêmios literários em vários estados e participação em importantes coletâneas de poesia, contos e crônicas. Em 2018 lançou seu primeiro livro individual intitulado “Contos Colhidos” pela editora Clube de Autores.
Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornal da Nova
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