Torresmo e croquete (meus dois amores)

*Rodrigo Alves de Carvalho


Sentado numa mesinha na calçada, do lado de fora do bar lotado, aguardava minha porção de torresmo.  

Como sempre fazia, desde que me separei da Luana, toda sexta-feira, sentava em uma das mesinhas na calçada, pedia uma cerveja puro malte e uma porção de torresmo, quando a porção chegava, a minha cerveja inevitavelmente já acabara e eu pedia mais duas, para saborear a iguaria pururucada. 

Porém, o garçom só levava a porção até a mesa, após observar que a Luana havia chegado. 

— Demorou um pouco hoje. 

— Passei na minha mãe para ver se estava tudo bem. 

— Algo errado? 

— Nunca se preocupou com minha mãe enquanto estávamos juntos e agora quer saber dela! 

— Ora Luana, sua mãe nunca foi com minha cara, mas também nunca me destratou. 

— Ah esquece! Ela está bem. 

— Toma sua cerveja, senão esquenta. 

— Cadê o torresmo? 

— Já está chegando. 

Luana estende seu braço e eu seguro sua mão. 

— Sabe Luana, às vezes fico pensando em nós dois. 

— Nem vem com essa história. Você sabe que entre nós não tem como mais dar certo! 

— Eu sei. Mas é que bate uma saudade... 

— Nos vemos toda sexta-feira! 

— Eu sei Luana, mas às vezes eu penso em algo mais. 

O Garçom se aproxima da mesa e sem jeito curva-se para falar. 

— Desculpa senhor, mas como o bar está lotado e o senhor sempre pede para aguardarmos um pouco para prepararmos sua porção, o torresmo acabou acabando. 

Luana se levanta. 

— Não tem torresmo? 

— Calma Luana. Vamos pedir outra coisa. Garçom, traz uma porção de croquete! 

— Nada disso. Você sabe muito bem que só venho a esse bar para te ver, se tiver a porção de torresmo! 

O garçom sai assustado. 

— Sem a porção de torresmo, não quero te ver. 

E a Luana vai embora. 

Desconsolado e meio atônito, tento aceitar a situação, até que a porção de croquete chega. 

Logo, se aproxima uma moça loira, de cabelos curtinhos, magrinha e muito bonita. 

— Esse croquete parece delicioso! 

— Pode experimentar. Qual o seu nome? 

— Prazer, meu nome é Bruna e o seu? Nossa, esse croquete é maravilhoso! Posso me sentar? 

Agora, toda sexta-feira, me sento numa mesinha na calçada, do lado de fora do bar, peço uma porção de croquete, duas cervejas puro malte, e espero a Bruna chegar. 

*Jornalista, escritor e poeta, nasceu em Jacutinga (MG), possui diversos prêmios literários em vários estados e participação em importantes coletâneas de poesia, contos e crônicas. Em 2018 lançou seu primeiro livro individual intitulado “Contos Colhidos” pela editora Clube de Autores. 

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornal da Nova

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