Nacional & Geral / Internacional
Venezuela liberta presos políticos e promete fechar centros de tortura
Medida ocorre após pressão internacional; regime de Nicolás Maduro desativa prisões emblemáticas como El Helicoide e La Tumba
Por Band
O governo da Venezuela iniciou, nesta sexta-feira, a libertação dos primeiros presos políticos do país. A medida foi anunciada pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, que classificou a decisão como um "gesto para consolidar a paz" na nação vizinha.
Atualmente, estima-se que existam mais de mil pessoas detidas por motivações políticas em território venezuelano. Entre os nomes já libertados estão a ativista de direitos humanos Rocío San Miguel e os ex-vice-presidentes da Assembleia Nacional, Enrique Marquez e Juan Pablo Guanipa.
Pressão externa e desativação de prisões
A mudança de postura do regime de Nicolás Maduro ocorre em meio a uma forte pressão diplomática. Segundo a análise de Amauri Chamorro, especialista em comunicação política, a decisão demonstra a tensão vivida pelo regime após ações diretas do governo dos Estados Unidos.
Para o analista, a retórica agressiva no campo comunicacional contrasta com o tom adotado nas negociações diplomáticas e comerciais. Ele avalia que a mensagem externa recebida por Caracas é de que a obediência às normas internacionais é a única saída para evitar novas sanções.
Além das solturas, o governo venezuelano prometeu desativar locais apontados como centros de tortura por organismos internacionais. Um deles é o El Helicoide, prédio originalmente projetado para ser um shopping center, mas que foi transformado em prisão. Outro local que deve ser fechado é La Tumba, um centro de detenção localizado no subsolo de um edifício no centro de Caracas, onde opositores eram mantidos em isolamento.
Controle social pela alimentação
Apesar das libertações, a realidade para quem vive fora das prisões continua marcada pela privação. Com o salário mínimo fixado em cerca de meio dólar, a maior parte da população não tem recursos próprios para comprar alimentos e depende inteiramente das cestas básicas distribuídas pelo Estado.
Para o professor de Relações Internacionais, Leonardo Trevisan, essa dependência é utilizada como uma ferramenta de controle social. Ele explica que mais da metade da população venezuelana precisa do governo para comer, o que cria um mecanismo de coerção política.
Segundo a avaliação de Trevisan, o cidadão que fizer comentários políticos agressivos ou deixar de comparecer a comícios governamentais corre o risco de ser excluído do programa de auxílio alimentar. Na prática, a sobrevivência econômica na Venezuela está atrelada à fidelidade ou ao silêncio em relação ao regime.
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