EUA atacam Pix e acusam Brasil de favorecer sistema nacional em disputa comercial

Relatório do governo Trump afirma que mecanismo de pagamentos criado pelo Banco Central prejudica empresas norte-americanas

Luis Gustavo, Da Redação*


O escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) acusou o Brasil de favorecer o Pix e prejudicar empresas norte-americanas de pagamentos eletrônicos, como MasterCard, Visa e WhatsApp Pay. A crítica faz parte de um relatório divulgado na segunda-feira (1º), resultado de uma investigação aberta pelo governo do presidente Donald Trump sobre supostas práticas comerciais desleais adotadas pelo Brasil.

 

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Segundo o documento, o tratamento dado ao Pix seria “injusto e discriminatório” por conceder vantagens exclusivas ao sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central. A investigação sustenta que instituições financeiras são obrigadas a oferecer o Pix com destaque em aplicativos e plataformas, além de disponibilizá-lo gratuitamente aos usuários.

 

A conselheira jurídica geral do USTR, Jennifer Thornton, argumenta que existe um conflito de interesses pelo fato de o Banco Central atuar simultaneamente como regulador e operador do sistema. De acordo com ela, a autoridade monetária teria adotado medidas que favorecem o Pix em detrimento de prestadores de serviços de pagamento dos Estados Unidos.

 

O relatório também sugere medidas comerciais contra o Brasil, incluindo a possibilidade de aplicação de tarifas de até 25% sobre parte das exportações brasileiras. O governo brasileiro e empresas afetadas poderão apresentar manifestações até 15 de julho, prazo após o qual Washington poderá decidir pela adoção de medidas consideradas corretivas.

 

Para o professor do Instituto de Economia da Unicamp, Pedro Paulo Zahluth Bastos, a ofensiva norte-americana tem como objetivo proteger os interesses de grandes empresas do setor financeiro e de tecnologia que perderam espaço com a expansão do Pix.

 

Segundo o economista, o sistema brasileiro se consolidou como uma alternativa pública, gratuita e eficiente aos meios privados de pagamento, reduzindo receitas obtidas por operadoras de cartões e plataformas digitais por meio da cobrança de tarifas.

 

Zahluth também rejeita a acusação de discriminação contra empresas estrangeiras. Para ele, o Pix não impede a atuação de cartões de crédito ou outros meios de pagamento, apenas oferece uma opção mais barata e acessível para consumidores e comerciantes.

 

O especialista destaca ainda que o Pix já movimenta mais recursos do que bandeiras tradicionais de cartões de crédito e que modelos semelhantes têm sido adotados por outros países, como a Índia.

 

A investigação norte-americana foi iniciada em 15 de julho de 2025 e ganhou força após pressões de empresas do setor financeiro e de tecnologia. Veículos especializados em economia dos Estados Unidos têm relatado que gigantes como Visa, MasterCard e grandes empresas de tecnologia vêm cobrando ações do governo Trump contra o sistema brasileiro.

 

Além da concorrência direta com serviços privados, o Pix também passou a ser utilizado em algumas operações internacionais, ampliando sua relevância e aumentando a preocupação de empresas que dominam o mercado global de pagamentos eletrônicos. *Com informações da Agência Brasil.

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