Brasil afirma aos EUA que tarifa de 25% prejudicaria empresas americanas e defende Pix e decisões do STF

Em resposta oficial ao governo norte-americano, Itamaraty sustenta que medida elevaria custos para consumidores e indústrias dos Estados Unidos e pede que divergências sejam tratadas por meio do diálogo

Luis Gustavo, Da Redação*


O governo brasileiro enviou aos Estados Unidos um documento de 29 páginas rebatendo a proposta de aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Na resposta, o Ministério das Relações Exteriores afirma que a medida, além de prejudicar o comércio bilateral, também traria impactos negativos para empresas, indústrias e consumidores norte-americanos. 

 

Assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o texto argumenta que a imposição de tarifas amplas elevaria os custos da economia dos Estados Unidos e cita que 43 empresas e associações comerciais americanas já solicitaram a exclusão de diversos produtos de qualquer sobretaxa, alegando falta de substitutos produzidos internamente e risco de aumento de preços ao consumidor. 

 

O documento também rebate a alegação do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de que o Pix prejudicaria empresas americanas. Segundo o governo brasileiro, o sistema de pagamentos instantâneos é uma infraestrutura pública administrada pelo Banco Central e suas regras são aplicadas igualmente a empresas nacionais e estrangeiras. 

 

Outro ponto contestado diz respeito às decisões do Supremo Tribunal Federal envolvendo plataformas digitais. O Itamaraty afirma que o USTR não apontou nenhuma norma brasileira que discrimine empresas dos Estados Unidos e destaca que o sigilo em determinados processos judiciais é previsto para preservar investigações em andamento. 

 

Na conclusão, o governo brasileiro afirma que um eventual tarifaço não resolveria as questões levantadas pelos Estados Unidos e reduziria o espaço para negociações entre os dois países. O documento defende que eventuais divergências sejam solucionadas por meio do diálogo, preservando a relação comercial e de investimentos considerada importante para ambas as economias. *Com informações da Agência Brasil.

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