Policial / Polícia
Dono de academia teria armado emboscada que terminou com jovem morto em Dourados
Investigação aponta que negociação de uma SW4 teria sido usada para atrair verdadeiro alvo; Vitor Orsini, de 19 anos, teria sido confundido pelos executores
Da Redação
A investigação sobre o assassinato de Vitor Orsini, de 19 anos, ocorrido em Dourados, aponta que o jovem pode ter sido morto por engano durante uma emboscada planejada contra outro homem. Claudio Henrique de Arruda, de 43 anos, dono de uma academia e preso na sexta-feira (21), é investigado por supostamente ter participado da preparação da ação.
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Conforme informações apuradas pelo "Campo Grande News", Claudio teria usado uma falsa negociação envolvendo uma Toyota SW4 para atrair o verdadeiro alvo até a garagem da família de Vitor, na tarde de 7 de agosto. A vítima pretendida, porém, não teria comparecido no horário combinado.
Conversas encontradas no celular de Vitor indicariam que Claudio procurou a garagem demonstrando interesse na caminhonete e informou que uma pessoa iria ao estabelecimento por volta das 14h para avaliar o veículo. Segundo a linha investigativa, a negociação teria sido montada para garantir a presença do homem no local no momento da chegada dos executores.
Como o alvo não apareceu, os suspeitos encontraram Vitor próximo aos veículos da loja. A investigação trabalha com a hipótese de que, por estar de costas, o jovem tenha sido confundido com o homem que deveria ser assassinado.
Vitor foi atingido por três disparos e morreu no estabelecimento. Segundo as informações apuradas até o momento, ele não teria qualquer relação com a disputa que motivou o suposto plano.
A Polícia Civil ainda não divulgou oficialmente todos os detalhes da possível emboscada e também busca esclarecer quem teria ordenado o assassinato e qual foi a participação de cada investigado.
Ligação com o tráfico
O homem apontado como verdadeiro alvo mora na região sul de Dourados e, conforme a apuração, não é investigado pela morte de Vitor. A ligação dele com Claudio remontaria a 2013, quando ambos foram presos durante uma operação contra um esquema de tráfico de cocaína com atuação a partir de Ponta Porã.
Na ocasião, a Polícia Federal apontou Claudio como um dos líderes de um grupo que enviava cocaína para outros estados. Segundo o processo, veículos de alto valor eram utilizados no transporte dos entorpecentes e transferidos para os nomes dos motoristas responsáveis pelas viagens.
Claudio chegou a ser condenado a 31 anos de prisão, pena posteriormente reduzida para 14 anos e oito meses pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3). Ele cumpriu parte da sentença em regime fechado e depois deixou a prisão.
O homem que seria o alvo da emboscada também possui antecedentes e voltou a ser preso por tráfico em 2024. Uma das linhas investigativas considera a possibilidade de ele ter se tornado informante de forças de segurança, o que teria motivado uma ordem de morte. Essa hipótese, entretanto, ainda não foi confirmada oficialmente pela Polícia Civil.
Também permanece sob investigação se Claudio teria ordenado o assassinato ou atuado como intermediário na preparação da emboscada.
Prisões e foragidos
Claudio foi preso em Ponta Porã durante as diligências relacionadas ao assassinato. Na residência dele, policiais apreenderam 38 munições calibre .380 e R$ 10 mil em dinheiro. Ele é proprietário de uma academia no Bairro da Granja.
Outros três envolvidos já foram presos. Um jovem de 22 anos é apontado como autor dos disparos; um homem de 27 anos teria pilotado a motocicleta utilizada na chegada e na fuga; e um adolescente de 17 anos é investigado por suposta participação na preparação do crime.
A polícia também procura dois homens, de 23 e 31 anos, ambos de Ponta Porã. O mais velho teria dirigido uma BMW usada para transportar os envolvidos da região de fronteira até Dourados, enquanto o outro é suspeito de participar da contratação dos executores. Os dois permanecem foragidos.
Crime foi registrado por câmeras
Vitor trabalhava na garagem da família, localizada na Avenida Hayel Bon Faker, região do Jardim Água Boa, quando foi assassinado por volta das 14h10.
Câmeras de segurança registraram a chegada dos suspeitos em uma Honda Biz. O homem apontado como atirador entrou no estabelecimento alegando que precisava usar o banheiro e permaneceu alguns instantes no local.
Pouco depois, aproximou-se de Vitor e efetuou os disparos. Antes da fuga, ainda teria apontado a arma para o gerente da garagem, mas não atirou.
A motoneta utilizada no crime foi posteriormente abandonada no Jardim Canaã VI, nas proximidades de uma estação de tratamento de esgoto. A investigação indica que os envolvidos deixaram Dourados em um veículo de aplicativo e seguiram em direção à região de fronteira.
As investigações prosseguem para esclarecer quem determinou a morte do verdadeiro alvo, a participação individual dos envolvidos e as circunstâncias que fizeram Vitor ser assassinado no lugar do homem que estaria marcado para morrer.
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