Cientistas desenvolvem anticoncepcional masculino que promete bloquear espermatozoides por até oito horas

Pesquisadores dos Estados Unidos vão iniciar testes em humanos com uma pílula sem hormônios que deve ser tomada 30 minutos antes da relação sexual

Luis Gustavo, Da Redação*


Pesquisadores da Universidade Cornell, em Nova York, nos Estados Unidos, desenvolveram uma pílula anticoncepcional masculina de curta duração que promete impedir temporariamente a capacidade dos espermatozoides de se movimentarem. O medicamento deve ser tomado cerca de 30 minutos antes da relação sexual e pode oferecer proteção contra a gravidez por um período de seis a oito horas.

 

A novidade é que o anticoncepcional não utiliza hormônios e foi desenvolvido para atuar diretamente na mobilidade dos espermatozoides. Após o período de ação do medicamento, a função reprodutiva deve retornar normalmente.

 

O estudo é conduzido por cientistas da Weill Cornell Medicine e recebeu US$ 8,2 milhões em financiamento do Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano dos Estados Unidos (NICHD).

Como funciona o anticoncepcional masculino

A pílula atua sobre uma enzima chamada adenilato ciclase solúvel (sAC), fundamental para a mobilidade dos espermatozoides. Ao bloquear a atividade dessa enzima, o medicamento impede que as células reprodutivas masculinas nadem adequadamente, dificultando a fecundação do óvulo.

 

Nos experimentos realizados com camundongos, os pesquisadores observaram que os espermatozoides ficavam imóveis rapidamente após a administração da substância.

 

Os cientistas também desenvolveram uma molécula capaz de permanecer ligada ao seu alvo por várias horas, característica que pode contribuir para a duração do efeito contraceptivo.

 

A proposta é oferecer uma alternativa de uso sob demanda, sem a necessidade de tomar um comprimido diariamente ou recorrer a métodos hormonais.

Medicamento ainda será testado em humanos

O próximo passo da pesquisa é iniciar os testes clínicos de fase 1, nos quais a segurança do medicamento será avaliada em homens saudáveis. Os participantes receberão a substância experimental ou um placebo, permitindo que os pesquisadores comparem os resultados.

 

Caso os dados sejam positivos, o estudo poderá avançar para a fase 2, que envolve um grupo maior de participantes e permite aprofundar a avaliação dos efeitos do medicamento.

 

Apesar dos resultados promissores em animais, ainda será necessário confirmar se o anticoncepcional é seguro e eficaz em seres humanos. Também será preciso avaliar possíveis efeitos adversos e determinar a capacidade real de prevenir a gravidez.

 

Até o momento, não há previsão de quando a pílula poderá ser disponibilizada ao público.

Nova alternativa para a contracepção masculina

Atualmente, as principais opções de contracepção masculina são os preservativos e a vasectomia. Enquanto o preservativo também ajuda a prevenir infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), a vasectomia é considerada um método de esterilização permanente.

 

A criação de um anticoncepcional masculino reversível pode ampliar as opções de planejamento familiar e dividir de maneira mais equilibrada a responsabilidade pela prevenção da gravidez.

 

Outras pesquisas também buscam desenvolver comprimidos de uso diário, injeções de longa duração e géis contraceptivos masculinos.

O preservativo continua sendo importante

Mesmo com o avanço das pesquisas, os preservativos continuam sendo fundamentais para a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis, como HIV, HPV, sífilis, hepatites virais e gonorreia.

 

Como a nova pílula tem como objetivo evitar a gravidez, ela não deve ser considerada uma alternativa ao preservativo para a prevenção dessas infecções.

 

Até que os testes clínicos comprovem a segurança e a eficácia do medicamento em humanos, a nova tecnologia permanece uma possibilidade promissora, mas ainda experimental. *Com informações da CNN.

Cobertura do Jornal da Nova

Quer ficar por dentro das principais notícias de Nova Andradina, região do Brasil e do mundo? Siga o Jornal da Nova nas redes sociais. Estamos no Twitter, no Facebook, no Instagram, Threads e no YouTube. Acompanhe!


Comentários