Prisão mostra que PCC montou time no Paraguai contra ''Flavinho'' e Fahd Jamil

Prisão de brasileiro reforça tese da polícia; sobrinhos foram torturados para revelar paradeiro de tio, diz jornal paraguaio
Campo Grande News / Imagens: ABC Color
30/11/2020 11h29
Flávio Arruda Guilherme, de 31 anos, foi enviado pelo PCC para a fronteira para agir na frente de extermínio de rivais, segundo jornal paraguaio / Imagens: ABC Color

A prisão do brasileiro Flávio Arruda Guilherme, de 31 anos, no fim de semana, reforça a tese da polícia paraguaia de que o PCC (Primeiro Comando da Capital) montou “time” em Pedro Juan Caballero, cidade vizinha a Ponta Porã, com a intenção de consolidar o controle da região, um dos principais corredores de drogas, armas e cigarros do Paraguai para o Brasil. De acordo com apuração do jornal “ABC Color”, Flávio faz parte do grupo encarregado de exterminar rivais.

 

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Há 10 dias, o veículo paraguaio já havia divulgado que André de Oliveira Macedo – o traficante brasileiro de 43 anos conhecido como “André do Rap”, que fugiu após conseguir um habeas corpus do STF (Supremo Tribunal Federal), revogado horas depois – estava em Amambay, estado paraguaio onde está localizada Pedro Juan. Ele também foi enviado em “missão” do PCC.

 

Órgãos de segurança paraguaios acreditam que André do Rap “agora tem o controle absoluto da região”, ou seja, é o novo chefe da facção de origem brasileira neste ponto da fronteira.

 "André do Rap" fugiu do Brasil graças a habeas corpus – Foto: Divulgação

Ainda segundo havia investigado o “ABC Color” com agentes de inteligência, o objetivo de “do Rap” é reorganizar o tráfico de drogas, armas e munições por ali. Conforme a apuração do jornal paraguaio, “André do Rap” é conhecido pelo comportamento discreto e muito calmo, por isso, a cúpula máxima da “multinacional criminosa” o teria escolhido para fazer essa função de controle.

 

Já Flávio Arruda Guilherme, segundo o “ABC Color”, havia chegado a Pedro Juan há um mês, depois de ser libertado de presídio de São Paulo, onde cumpria pena por tráfico de drogas e assalto à mão armada. Ele foi recebido por um dos traficantes mais procurados no Paraguai, Clemencio “Gringo” González, e estava hospedado em casa no Jardim Aurora, onde foi preso na tarde de sábado (28).

 

A caça

Flávio Correia Jamil Georges, à esquerda, e o pai, Fahd Jamil, ambos foragidos da Justiça de Mato Grosso do Sul - Foto: Divulgação

Arruda Guilherme foi enviado com a missão de exterminar integrantes do bando comandado por Fahd Jamil, por muito tempo conhecido como o “Rei da Fronteira”, e seu filho, Flávio Correia Jamil Georges, o "Flavinho", com o objetivo de enfraquecer o clã definitivamente. Desde a morte de Jorge Rafaat em 2016, ainda segundo o jornal paraguaio, “Fuad” tentava ganhar terreno para retomar o controle das operações ilegais na região.

 

O brasileiro preso no sábado teria comandado o sequestro e assassinato de Riad Jamil Oliveira Salem, 19, Muryel Moura Correia, 36, Felipe Bueno, cuja idade não foi informada, e do paraguaio Cristhian Gustavo Torales Alarcón, 31. Os quatro corpos foram encontrados em cova rasa na zona rural de Pedro Juan Caballero, na quinta passada, dia 26 de novembro.

 

Riad e Muryel eram sobrinhos de “Fuad” e teriam sido torturados até a morte para revelarem o paradeiro do tio, sumido desde junho, quando foi alvo da terceira fase da Operação Omertà, ação da polícia e Ministério Público brasileiros. Batizada de Armagedon, a etapa da força-tarefa, deflagrada pelo Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos Assaltos e Sequestros) e Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado), tinha como principal alvo o “Rei da Fronteira”.

 

O preso

Flávio Arruda Guilherme foi enviado a Assunción, capital do Paraguai, e ficará por enquanto sob a guarda do Departamento de Investigações por causa de rumores de que o PCC já preparava o resgate da liderança em Pedro Juan.



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